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A bíblia católica e os apócrifos

Por que os protestantes e judeus não acreditam em Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Baruc, Sabedoria e Eclesiástico?

As igrejas protestantes não reconhecem a inspiração ou autoridade desses livros, embora os protestantes não neguem que tais livros tenham valor. Eles ainda são usados em muitas igrejas protestantes hoje (como as igrejas episcopais, por exemplo).

A autoridade e autenticidade dos sete livros mencionados têm sido disputadas ao longo dos séculos (juntamente com capítulos adicionais em Ester e Daniel, e outros livros que os protestantes chamam de “apócrifos”). Até mesmo a Igreja Católica Romana não reconheceu oficialmente a autoridade desses livros até 1546, no Concílio de Trento. A Igreja Católica Romana ainda chama esses livros de “deuterocanônicos” (significando que eles estavam numa “segunda” lista de livros além daqueles inicialmente reconhecidos como canônicos).

A Reforma aconteceu antes de Trento, e a Bíblia Protestante contém os livros que a igreja tinha reconhecido oficialmente antes de Trento. De fato, o cânon já estava estabelecido desde os primeiros séculos após o primeiro advento de Cristo, e o Antigo Testamento muito antes disso.

O argumento protestante contra incluir esses sete livros no Cânon tem vários elementos, incluindo mas não se limitando aos seguintes:

• Os judeus (que constituíam a igreja antes de Cristo) não reconheciam esses livros como canônicos antes do tempo de Cristo. Na verdade, eles continuam até hoje rejeitando essas obras.
• Embora Cristo tenha afirmado o cânon hebraico dos seus dias, ele em nenhum lugar afirmou essas obras extra-canônicas.
• As referências do Novo Testamento potencialmente extraídas desses livros (2 Pedro e Judas) não constituem endossos desses livros, mas antes endossos de algumas das ideias nesses livros (similar ao uso de Paulo da poesia pagã, conforme registrado em Atos 17). Não há outras referências a qualquer desses sete livros no Novo Testamento, e nenhuma confirmação deles.
• Embora esses livros fossem conhecidos e até mesmo usados na igreja primitiva, eles não os reconheceram como autoritativos em nenhum dos sete concílios ecumênicos da igreja primitiva. Antes, a igreja aceitou o Cânon Hebraico tradicional. A igreja primitiva teve a oportunidade de aceitar esses sete livros adicionais, mas escolheu não fazê-lo. Em sua grande maioria, os protestantes são da opinião que essas obras eram conhecidas e foram usadas por mais de 1500 anos, e ainda assim sem serem consideradas canônicas. Trento repudiou o consenso de toda a história e tradição da igreja ao adicionar esses livros ao Cânon Católico Romano.
• As igrejas da Reforma negaram e continuam a negar a reivindicação da Igreja Católica Romana ao Magistério. Em nosso entendimento das Escrituras, os ensinos encontrados nesses sete livros não são suficientemente coerentes com os outros livros canônicos.

Isso não quer dizer que os protestantes afirmam que esses livros sejam totalmente sem valor. Antes, consideramo-los tão valiosos como qualquer outro escrito humano não-inspirado. Também reconhecemos que eles fornecem importantes pistas históricas sobre as ideias e culturas das pessoas que os escreveram.

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