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A difícil tarefa da esposa do pastor

A difícil tarefa da esposa do pastor

Muitos sabem que o trabalho do pastor é difícil, especialmente pelas demandas urgentes e pressões que o caracterizam. Todavia, mais dificultoso é a tarefa da esposa do pastor! A verdade é que se o pastor precisa suportar as exigências da função, sua esposa também o faz, ainda que indiretamente. No entanto, além de tudo isso ela ainda acaba tendo que cuidar e apoiar o próprio pastor.

De fato, a tarefa da esposa do pastor é tão complexa que o conselheiro bíblico Ed Welch a define como “o trabalho mais difícil do planeta”.[1] Mas, é provável, no entanto, que nem toda esposa de pastor sinta o peso dessa responsabilidade, mas é possível que aquela que considera a importância do ministério do seu esposo à luz da Palavra, o amor e a dedicação genuína do marido à causa do Reino e as demandas contínuas do rebanho, algumas vezes se sinta desprovida de forças para essa missão! Tudo isso sem considerar as expectativas da comunidade sobre ela, sua casa e seus filhos. O fato é que há ocasiões que tudo se torna excruciante!

Considerando tudo isso, o pesquisador batista Thom Rainer, recentemente lançou uma lista das dez expectativas impossíveis que algumas esposas de pastores encontram no auxílio ao ministério de seus maridos.[2] A reprodução dessa lista aqui comprova o quanto essas irmãs acabam carregando pesados fardos.

Atuar em todas as esferas de trabalho da igreja. Se vista fazendo algo fora da igreja, alguns membros ficam ressentidos.Saber tudo o que acontece na igreja. De fato, alguns membros aguardam que a esposa saiba tudo o que o seu marido sabe. O problema é que nem o marido dela sabe tudo o que acontece na igreja!Ser disposta e pronta a ouvir as reclamações que outras pessoas fazem do seu marido. Na verdade, alguns pensam que podem falar ao pastor por meio dos ouvidos da esposa dele! O problema é que essas pessoas carecem de inteligência emocional ao pensar que a esposa do pastor não ficará sentida ao perceber que seu marido não é valorizado!Atuar como “secretária eletrônica”. Algumas esposas de pastores recebem, geralmente após o culto, inúmeras mensagens para entregar ao pastor da igreja. Há outras que, ao atenderem ligações telefônicas na casa pastoral, são tratadas apenas como domésticas com o dever de repassar o telefone ao destinatário, pois quem liga nem pergunta pelo nome de quem atendeu a ligação!Servir como contratada da igreja. Não é incomum encontrar algumas igrejas que esperam que a esposa do pastor seja a pianista, presidente da sociedade feminina ou professora das crianças! Certamente não há problema algum que a esposa do ministro atue nessas áreas por compreender que seus dons podem ser exercitados nessas funções, mas esperar que ela faça “por ser a esposa do pastor’ é tornar o seu matrimônio em uma profissão.Ter filhos perfeitos e que se comportem perfeitamente. A igreja geralmente tolera que crianças sejam crianças e ajam de maneira infantil, a menos que sejam os filhos do pastor! Nesse caso, a culpa acaba sendo da esposa do pastor que não cuidou para que seus filhos fossem mais comportados.Manter o controle emocional em toda e qualquer situação. Até mesmo se a mensagem do domingo ou algum hino, cântico ou oração falar tão profundamente ao seu coração ela deve segurar as lágrimas, pois ninguém gosta que a esposa do pastor pareça emocionalmente desequilibrada. Além do mais, o choro pode sempre ser interpretado como se o casal estivesse passando por algum problema conjugal!Que toda a família faça um voto de pobreza. Nesse sentido, se a família aparece com um carro novo, se o casal faz algum plano de férias em um local agradável, se a esposa comenta alguma dificuldade financeira da família, tudo isso pode gerar rumor na igreja e, dependendo do assunto, o mesmo acabará fazendo parte da pauta das reuniões do conselho.Ser a melhor amiga de todas as outras senhoras da igreja. Certamente a maioria das esposas de pastores gostariam que isso fosse uma realidade. Todavia, é muito difícil que isso aconteça e algumas pessoas acabam ficando ressentidas!Serem co-pastoras dos seus maridos na igreja. Na verdade, algumas mulheres acabam gostando de interferir no ministério de seus maridos, inclusive em áreas que são permitidas somente a eles. Todavia, tanto o fato delas gostarem disso, como da igreja esperar que o mesmo seja feito, acaba sendo problemático, pois as Escrituras não aprovam esse erro de nenhuma das partes.

Contrário às expectativas injustas, a esposa de pastor deveria refletir no enorme privilégio que é poder ser auxiliadora daqueles que trabalham para a eternidade! Se o pastor é alguém verdadeiramente sério e dedicado ao Senhor, a convivência dela será com um homem santo e isso deveria ser motivo de alegria. Nesse caso, o que se requer da esposa de pastor é o mesmo que se requer de qualquer esposa: que ela seja auxiliadora.

Finalmente, se o Senhor, em sua providência, permitiu que uma de suas servas se tornasse esposa de pastor, ele mesmo deve ser sua fonte de sustento diário nessa tarefa. Portanto, a esposa de pastor não deve se intimidar diante de tão importante ministério, pois sua suficiência provém do Senhor. Além do mais, a mesma igreja que, muitas vezes cultiva uma expectativa irreal sobre sua pessoa e trabalho, também possui irmãos amados que intercedem diariamente pela família do pastor. Outros ainda, não esperam apenas receber, mas acabam sendo generosos ajudando o pastor e sua família a terem uma jornada mais agradável e alegre no ministério pastoral. Enfim, os encantos e bênçãos do ministério, ao final do dia, são excessivamente maiores do que as dificuldades que acompanham a tarefa.

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[1] Welch, Ed. A pastor’s wife: The toughest job on the planet. Disponível em: www.ccef.org/resources/blog. Acesso: 23.03.2017.

[2] RAINER, Thom. Ten unfair expectations of pastor’s wives. Disponível em: http://thomrainer.com/2017/09/ten-unfair-expectations-pastors-wives. Acesso em: 05.09.2017.

Por: Valdeci S. Santos. © Igreja Presbiteriana do Brasil. Website: ipb.org.br. Postado com permissão. Fonte: A difícil tarefa da esposa do pastor.

Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Goiânia (B.Th., 1988), mestre em Teologia Sistemática (Th.M, 1997) e doutorado em Estudos Interculturais pelo Reformed Theological Seminary (Ph.D., 2001). Em 2011 concluiu seus estudos pós doutorais em Aconselhamento Bíblico pela Christian Counseling Educational Foundation – CCEF. Atualmente é Secretário Geral de Apoio Pastoral da IPB e Vice-diretor do CPAJ.

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