Jhon MacArthur Jr
O que Paulo quis dizer com “línguas... dos anjos”? Muitas pessoas entendem que ele estava sugerindo que o dom de língua envolvia algum tipo de linguagem angelical ou celeste. De fato, a maior parte dos carismáticos acredita que o dom de línguas é uma linguagem particular de oração, uma língua celeste que apenas Deus conhece, um idioma celestial ou algum outro tipo de idioma sobre-humano. Todavia, o texto por si mesmo não dá margem para esse tipo de in-terpretação. Paulo estava empregando um caso hipotético, assim como nos versículos subseqüentes ele menciona o conhecer todos os mistérios e toda a ciência (embora Paulo não pudesse, literalmente, fazer essa afirmação), o doar todas as seus bens aos pobres e o entregar o corpo para ser queimado. Paulo falava teoricamente, sugerindo que, se essas coisas fossem realmente possíveis, sem amor elas seriam insignificantes. Ao destacar a necessidade do amor, Paulo tentava usar exemplos extremos.
Além disso, não há evidência bíblica do uso de qualquer língua celestial pelos anjos. Na Escritura, todas as vezes que os anjos apareceram, eles se comunicaram por meio de idiomas humanos comuns (por exemplo, Lc 1.11-20, 26-37; 2.8-14).Nenhuma parte a Bíblia ensina que o dom de línguas era outra coisa além de idiomas humanos. Tampouco há qualquer sugestão de que as línguas descritas em 1 Coríntios 12 a 14 eram diferentes das línguas miraculosas descritas em Atos 2, no Dia de Pentecostes. O vocábulo grego em ambas as passagens é glōssa. Em Atos, é evidente que os discípulos falavam em línguas conhecidas. Os judeus incrédulos que estavam em Jerusalém naquela ocasião ficaram cheios de “perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At 2.6). Lucas alistou quinze países e áreas diferentes cujas línguas eram faladas naquele momento (vv. 8-11).Além disso, a palavra grega dialektos, de onde procede o vocá-bulo português “dialeto”, também é usada com referências às línguas em Atos 2.6 e 8. Os incrédulos presentes no Dia de Pentecostes ouvi-ram a mensagem divina anunciada nos dialetos locais. Essa descrição não poderia ser aplicada ao discurso extático. Portanto, 1 Coríntios não pode ser usado como prova de que Paulo defendia o falar em línguas em estado de êxtase, sem sentido, ou algum tipo de língua celestial ou angélica.Além disso, Paulo insistia que, ao serem as línguas faladas na igreja, alguém deveria interpretálas (14.13, 27). Esse mandamento não seria adequado, se Paulo tivesse em mente o balbuciar extático de uma língua “particular” de oração ou sons celestiais espontâneos. A palavra grega traduzida por interpretar é hermeneuō. (Ela é usada nesse sentido em João 9.7 e Hebreus 7.2.). O dom de interpretação era a habilidade sobrenatural de traduzir uma língua jamais aprendida, para que outras pessoas pudessem ser edificadas pela mensagem (1 Co 14.5). Não podemos traduzir uma fala extática ou incompreensível.
Outra indicação de que Paulo tinha em mente línguas humanas é a declaração de 1 Coríntios 14.21-22, de que as línguas foram concedidas como um sinal ao Israel incrédulo: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor”. Paulo fez referência a Isaías 28.11-12, uma profecia que informava à nação de Israel que Deus concederia sua revelação mediante as línguas dos gentios. Isso era uma repreensão contra Israel por causa de sua in-credulidade. Para constituírem um sinal significativo, essas línguas tinha de ser gentílicas, e não um tipo de língua angelical.
Línguas cessarão
Em 1 Coríntios 13.8, Paulo emitiu uma declaração interessante, quase chocante: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passa-rá”. Na expressão “o amor jamais acaba”, a palavra grega traduzida por “acabar” significa “decair” ou “ser abolido”. Paulo não disse que o amor é invencível ou que não pode ser rejeitado. Ele afirmou que o amor é eterno — sua aplicação será eterna; o amor jamais passará. As línguas “cessarão”. O verbo grego usado em 1 Coríntios 13.8 (pauō) significa “cessar permanentemente” e dá a entender que, tão logo as línguas cessassem, jamais recomeçariam.
Eis o problema que a passagem apresenta para o movimento carismático contemporâneo: se as línguas deveriam cessar, isso já ocorreu ou será um acontecimento futuro? Os carismáticos, irmãos em Cristo, insistem que nenhum dos dons cessou; portanto, o fim das línguas é futuro. A maior parte dos não-carismáticos afirmam que as línguas já cessaram, acabaram juntamente com a era apostólica.Quem está certo?Pelo estudo da história, da teologia e da Bíblia, estou convencido, de que as línguas cessaram na era apostólica. E, quando isso aconteceu, elas cessaram de uma vez por todas. O movimento carismático contemporâneo não representa o avivamento das línguas bíblicas. É uma aberração similar à falsa prática das línguas ocorrida em Corinto.Qual a evidência de que as línguas cessaram? Em primeiro lugar, as línguas eram um dom miraculoso de revelação, e, como já observamos repetidas vezes, a era dos milagres e da revelação chegou ao fim com os apóstolos. Os últimos milagres registrados no Novo Testamento ocorreram por volta do ano 58 d.C., as curas realizadas na ilha de Malta (At 28.7-10). Do ano 58 ao 96, quando João escreveu o livro de Apocalipse, nenhum milagre foi registrado. Os dons de milagres, como o de línguas e curas, são mencionados apenas em 1 Coríntios, uma das primeiras epístolas a ser escrita. Duas epístolas posteriores, Efésios e Romanos, versam cabalmente sobre os dons do Espírito — no entanto, não fazem qualquer referência aos dons de milagres. Naquele momento, os dons miraculosos já eram considerados pertencentes ao passado (Hb 2.3-4). A autoridade e a mensagem dos apóstolos não precisavam mais de confirmação. Antes do fim do século I, todo o Novo Testamento estava escrito e circulava pelas igrejas. Os dons de revelação haviam cumprido seu propósito e cessaram. Ao findar a era apostólica, com a morte de João, os sinais identificadores dos apóstolos já tinham se tornado questionáveis (cf. 2 Co 12.12).Em segundo lugar, como já vimos, as línguas tinham como objetivo ser um sinal para o Israel incrédulo. Significavam que Deus havia começado uma nova obra que incluiria os gentios. O Senhor falaria agora a todas as nações em suas línguas. As barreiras foram derrubadas. Assim, o dom de línguas simbolizava não apenas a mal-dição divina sobre a nação desobediente, mas também a bênção de Deus sobre o mundo todo.As línguas eram, portanto, o sinal da transição entre a Antiga e a Nova Aliança. Com o estabelecimento da igreja, um novo dia raiou para o povo de Deus. Deus se comunicaria em todas as línguas. Contudo, uma vez que o período transicional passasse, o sinal se tornaria desnecessário. Palmer Robertson formulou muito bem a conseqüência de tudo isso:movendo de uma única nação, Israel, para lidar com todas as nações. Esse movimento tornou-se um fato consumado. Assim como ocorreu com o ofício dos apóstolos como lançadores dos alicerces da igreja, assim também o dom transicional de línguas cumpriu a função de sinal da aliança para o povo de Deus da Antiga e da Nova Aliança. Havendo desempenhado seu papel, ele não tinha mais utilidade entre o povo de Deus.20 Além disso, o dom de línguas era inferior aos outros dons. Fora dado, primordialmente, como um sinal (1 Co 14.22) e não podia edi-ficar a igreja de modo adequado. Também era usado erroneamente para a edificação pessoal (14.4). A igreja se reúne para a edificação do corpo, não para a satisfação própria ou para a procura de experiências pessoais. Portanto, as línguas tinham utilidade limitada na igreja; logo, elas não eram um dom permanente.A história registra que as línguas cessaram.21 Outra vez, é significativo perceber que as línguas são mencionadas apenas nos primeiros livros escritos do Novo Testamento. Depois de 1 Coríntios, Paulo escreveu pelo menos doze epístolas em que não menciona novamente as línguas. Pedro, Tiago, João e Judas jamais as mencionaram. As línguas surgiram por um breve período (mencionadas em Atos e 1 Coríntios), à medida que a nova mensagem do evangelho era disseminada. No entanto, logo que a igreja se estabeleceu, as línguas acabaram. Elas pararam. Os livros posteriores do Novo Testamento não as mencionam. Tampouco o fez alguém da era pós-apostólica. Cleon Rogers escreveu: “É significativo que o dom de línguas não seja mencionado ou encontrado nos pais apostólicos”.22Crisóstomo e Agostinho — os maiores teólogos das igrejas oriental e ocidental — consideraram as línguas obsoletas. Crisóstomo afirmou categoricamente que as línguas haviam cessado em seus dias. Escrevendo no século IV, ele descreveu o dom de línguas como uma prática obscura, admitindo sua incerteza sobre as características do dom. Ele declarou: “O obscurecimento é produzido por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, pois eles ocorriam anteriormente, mas não ocorrem em nossos dias”. Agostinho escreveu sobre as línguas como um sinal adaptado à era apostólica:Nos primeiros anos, “o Espírito Santo desceu sobre os que creram, e eles falaram em línguas” que não haviam aprendido, “segundo o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Esses sinais eram adequados àquele momento, pois era ne-cessário haver aquele sinal do Espírito Santo em todas as línguas, para mostrar que o evangelho de Deus deveria ser comunicado em todas as línguas da terra. Isso foi realizado como um presságio e, então, desapareceu. Agora, na imposição de mãos, para as pessoas receberem o Espírito Santo, espera-se que elas falem em línguas? [É óbvio que Agostinho esperava uma resposta negativa para esta pergunta de retórica.]... Caso o testemunho da presença do Espírito Santo não nos seja concedido mediante esses milagres, de que maneira ele é dado e como po-demos saber que recebemos o Espírito Santo? Que o inquiridor pergunte ao seu próprio coração. Se ele ama seu irmão, o Espírito Santo nele habita. Agostinho também escreveu:Ora, irmãos, se alguém foi batizado em Cristo e crê nele, mas não fala nas línguas das nações, devemos afirmar que essa pessoa não recebeu o Espírito Santo? Deus não permita que nosso coração seja tentado por essa infidelidade... Por que será que ninguém fala nas línguas das nações? Porque a própria igreja fala agora as línguas das nações. Anteriormente, a igreja era uma única nação, onde se falava nas línguas de todos. Por falar nas línguas de todos, isso significava o que viria a acontecer: ao crescer entre as nações, ela falaria as línguas de todos. Nos primeiros quinhentos anos da igreja, as únicas pessoas que alegaram falar em línguas foram os seguidores de Montano, que foi condenado como herege (ver Capítulo 3).Só no final do século XVII surgiu no cristianismo outro movi-mento significativo de pessoas que falavam em línguas. Um grupo de protestantes em Cévennes (sul da França) começou a profetizar, receber visões e falar em línguas. Às vezes, eles são designados de “profetas de Cévennes” e recordados por suas atividades políticas e militaristas, não pelo legado espiritual. A maior parte de suas profecias não se cumpriu. Anticatólicos ferrenhos, defendiam o uso das armas contra a Igreja de Roma. Muitos deles foram perseguidos e mortos por Roma.Na outra extremidade do espectro, os jansenistas, um grupo de católicos fiéis, oposto ao ensino dos reformadores sobre a justificação pela fé, também alegavam (no século XVIII) ser capazes de falar em línguas.Outro grupo que praticava certa forma de dom de línguas eram os shakers. Tratava-se de uma seita americana, com raízes quacres, que floresceu em meados do século XVIII. Mãe Ann Lee, a fundadora da seita, considerava-se o equivalente feminino de Jesus Cristo. Ela dizia possuir a capacidade de falar em 72 línguas. Os shakers criam que o relacionamento sexual era pecaminoso, mesmo no casamento. Eles falavam em línguas enquanto dançavam e cantavam em um estado semelhante ao transe.
Retirado do livro: O Caos Carismático, Jhon MacArthur Jr
#DefensordoEvangenlho
O que Paulo quis dizer com “línguas... dos anjos”? Muitas pessoas entendem que ele estava sugerindo que o dom de língua envolvia algum tipo de linguagem angelical ou celeste. De fato, a maior parte dos carismáticos acredita que o dom de línguas é uma linguagem particular de oração, uma língua celeste que apenas Deus conhece, um idioma celestial ou algum outro tipo de idioma sobre-humano. Todavia, o texto por si mesmo não dá margem para esse tipo de in-terpretação. Paulo estava empregando um caso hipotético, assim como nos versículos subseqüentes ele menciona o conhecer todos os mistérios e toda a ciência (embora Paulo não pudesse, literalmente, fazer essa afirmação), o doar todas as seus bens aos pobres e o entregar o corpo para ser queimado. Paulo falava teoricamente, sugerindo que, se essas coisas fossem realmente possíveis, sem amor elas seriam insignificantes. Ao destacar a necessidade do amor, Paulo tentava usar exemplos extremos.
Além disso, não há evidência bíblica do uso de qualquer língua celestial pelos anjos. Na Escritura, todas as vezes que os anjos apareceram, eles se comunicaram por meio de idiomas humanos comuns (por exemplo, Lc 1.11-20, 26-37; 2.8-14).Nenhuma parte a Bíblia ensina que o dom de línguas era outra coisa além de idiomas humanos. Tampouco há qualquer sugestão de que as línguas descritas em 1 Coríntios 12 a 14 eram diferentes das línguas miraculosas descritas em Atos 2, no Dia de Pentecostes. O vocábulo grego em ambas as passagens é glōssa. Em Atos, é evidente que os discípulos falavam em línguas conhecidas. Os judeus incrédulos que estavam em Jerusalém naquela ocasião ficaram cheios de “perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua” (At 2.6). Lucas alistou quinze países e áreas diferentes cujas línguas eram faladas naquele momento (vv. 8-11).Além disso, a palavra grega dialektos, de onde procede o vocá-bulo português “dialeto”, também é usada com referências às línguas em Atos 2.6 e 8. Os incrédulos presentes no Dia de Pentecostes ouvi-ram a mensagem divina anunciada nos dialetos locais. Essa descrição não poderia ser aplicada ao discurso extático. Portanto, 1 Coríntios não pode ser usado como prova de que Paulo defendia o falar em línguas em estado de êxtase, sem sentido, ou algum tipo de língua celestial ou angélica.Além disso, Paulo insistia que, ao serem as línguas faladas na igreja, alguém deveria interpretálas (14.13, 27). Esse mandamento não seria adequado, se Paulo tivesse em mente o balbuciar extático de uma língua “particular” de oração ou sons celestiais espontâneos. A palavra grega traduzida por interpretar é hermeneuō. (Ela é usada nesse sentido em João 9.7 e Hebreus 7.2.). O dom de interpretação era a habilidade sobrenatural de traduzir uma língua jamais aprendida, para que outras pessoas pudessem ser edificadas pela mensagem (1 Co 14.5). Não podemos traduzir uma fala extática ou incompreensível.
Outra indicação de que Paulo tinha em mente línguas humanas é a declaração de 1 Coríntios 14.21-22, de que as línguas foram concedidas como um sinal ao Israel incrédulo: “Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor”. Paulo fez referência a Isaías 28.11-12, uma profecia que informava à nação de Israel que Deus concederia sua revelação mediante as línguas dos gentios. Isso era uma repreensão contra Israel por causa de sua in-credulidade. Para constituírem um sinal significativo, essas línguas tinha de ser gentílicas, e não um tipo de língua angelical.
Línguas cessarão
Em 1 Coríntios 13.8, Paulo emitiu uma declaração interessante, quase chocante: “O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passa-rá”. Na expressão “o amor jamais acaba”, a palavra grega traduzida por “acabar” significa “decair” ou “ser abolido”. Paulo não disse que o amor é invencível ou que não pode ser rejeitado. Ele afirmou que o amor é eterno — sua aplicação será eterna; o amor jamais passará. As línguas “cessarão”. O verbo grego usado em 1 Coríntios 13.8 (pauō) significa “cessar permanentemente” e dá a entender que, tão logo as línguas cessassem, jamais recomeçariam.
Eis o problema que a passagem apresenta para o movimento carismático contemporâneo: se as línguas deveriam cessar, isso já ocorreu ou será um acontecimento futuro? Os carismáticos, irmãos em Cristo, insistem que nenhum dos dons cessou; portanto, o fim das línguas é futuro. A maior parte dos não-carismáticos afirmam que as línguas já cessaram, acabaram juntamente com a era apostólica.Quem está certo?Pelo estudo da história, da teologia e da Bíblia, estou convencido, de que as línguas cessaram na era apostólica. E, quando isso aconteceu, elas cessaram de uma vez por todas. O movimento carismático contemporâneo não representa o avivamento das línguas bíblicas. É uma aberração similar à falsa prática das línguas ocorrida em Corinto.Qual a evidência de que as línguas cessaram? Em primeiro lugar, as línguas eram um dom miraculoso de revelação, e, como já observamos repetidas vezes, a era dos milagres e da revelação chegou ao fim com os apóstolos. Os últimos milagres registrados no Novo Testamento ocorreram por volta do ano 58 d.C., as curas realizadas na ilha de Malta (At 28.7-10). Do ano 58 ao 96, quando João escreveu o livro de Apocalipse, nenhum milagre foi registrado. Os dons de milagres, como o de línguas e curas, são mencionados apenas em 1 Coríntios, uma das primeiras epístolas a ser escrita. Duas epístolas posteriores, Efésios e Romanos, versam cabalmente sobre os dons do Espírito — no entanto, não fazem qualquer referência aos dons de milagres. Naquele momento, os dons miraculosos já eram considerados pertencentes ao passado (Hb 2.3-4). A autoridade e a mensagem dos apóstolos não precisavam mais de confirmação. Antes do fim do século I, todo o Novo Testamento estava escrito e circulava pelas igrejas. Os dons de revelação haviam cumprido seu propósito e cessaram. Ao findar a era apostólica, com a morte de João, os sinais identificadores dos apóstolos já tinham se tornado questionáveis (cf. 2 Co 12.12).Em segundo lugar, como já vimos, as línguas tinham como objetivo ser um sinal para o Israel incrédulo. Significavam que Deus havia começado uma nova obra que incluiria os gentios. O Senhor falaria agora a todas as nações em suas línguas. As barreiras foram derrubadas. Assim, o dom de línguas simbolizava não apenas a mal-dição divina sobre a nação desobediente, mas também a bênção de Deus sobre o mundo todo.As línguas eram, portanto, o sinal da transição entre a Antiga e a Nova Aliança. Com o estabelecimento da igreja, um novo dia raiou para o povo de Deus. Deus se comunicaria em todas as línguas. Contudo, uma vez que o período transicional passasse, o sinal se tornaria desnecessário. Palmer Robertson formulou muito bem a conseqüência de tudo isso:movendo de uma única nação, Israel, para lidar com todas as nações. Esse movimento tornou-se um fato consumado. Assim como ocorreu com o ofício dos apóstolos como lançadores dos alicerces da igreja, assim também o dom transicional de línguas cumpriu a função de sinal da aliança para o povo de Deus da Antiga e da Nova Aliança. Havendo desempenhado seu papel, ele não tinha mais utilidade entre o povo de Deus.20 Além disso, o dom de línguas era inferior aos outros dons. Fora dado, primordialmente, como um sinal (1 Co 14.22) e não podia edi-ficar a igreja de modo adequado. Também era usado erroneamente para a edificação pessoal (14.4). A igreja se reúne para a edificação do corpo, não para a satisfação própria ou para a procura de experiências pessoais. Portanto, as línguas tinham utilidade limitada na igreja; logo, elas não eram um dom permanente.A história registra que as línguas cessaram.21 Outra vez, é significativo perceber que as línguas são mencionadas apenas nos primeiros livros escritos do Novo Testamento. Depois de 1 Coríntios, Paulo escreveu pelo menos doze epístolas em que não menciona novamente as línguas. Pedro, Tiago, João e Judas jamais as mencionaram. As línguas surgiram por um breve período (mencionadas em Atos e 1 Coríntios), à medida que a nova mensagem do evangelho era disseminada. No entanto, logo que a igreja se estabeleceu, as línguas acabaram. Elas pararam. Os livros posteriores do Novo Testamento não as mencionam. Tampouco o fez alguém da era pós-apostólica. Cleon Rogers escreveu: “É significativo que o dom de línguas não seja mencionado ou encontrado nos pais apostólicos”.22Crisóstomo e Agostinho — os maiores teólogos das igrejas oriental e ocidental — consideraram as línguas obsoletas. Crisóstomo afirmou categoricamente que as línguas haviam cessado em seus dias. Escrevendo no século IV, ele descreveu o dom de línguas como uma prática obscura, admitindo sua incerteza sobre as características do dom. Ele declarou: “O obscurecimento é produzido por nossa ignorância dos fatos referidos e por sua cessação, pois eles ocorriam anteriormente, mas não ocorrem em nossos dias”. Agostinho escreveu sobre as línguas como um sinal adaptado à era apostólica:Nos primeiros anos, “o Espírito Santo desceu sobre os que creram, e eles falaram em línguas” que não haviam aprendido, “segundo o Espírito Santo lhes concedia que falassem”. Esses sinais eram adequados àquele momento, pois era ne-cessário haver aquele sinal do Espírito Santo em todas as línguas, para mostrar que o evangelho de Deus deveria ser comunicado em todas as línguas da terra. Isso foi realizado como um presságio e, então, desapareceu. Agora, na imposição de mãos, para as pessoas receberem o Espírito Santo, espera-se que elas falem em línguas? [É óbvio que Agostinho esperava uma resposta negativa para esta pergunta de retórica.]... Caso o testemunho da presença do Espírito Santo não nos seja concedido mediante esses milagres, de que maneira ele é dado e como po-demos saber que recebemos o Espírito Santo? Que o inquiridor pergunte ao seu próprio coração. Se ele ama seu irmão, o Espírito Santo nele habita. Agostinho também escreveu:Ora, irmãos, se alguém foi batizado em Cristo e crê nele, mas não fala nas línguas das nações, devemos afirmar que essa pessoa não recebeu o Espírito Santo? Deus não permita que nosso coração seja tentado por essa infidelidade... Por que será que ninguém fala nas línguas das nações? Porque a própria igreja fala agora as línguas das nações. Anteriormente, a igreja era uma única nação, onde se falava nas línguas de todos. Por falar nas línguas de todos, isso significava o que viria a acontecer: ao crescer entre as nações, ela falaria as línguas de todos. Nos primeiros quinhentos anos da igreja, as únicas pessoas que alegaram falar em línguas foram os seguidores de Montano, que foi condenado como herege (ver Capítulo 3).Só no final do século XVII surgiu no cristianismo outro movi-mento significativo de pessoas que falavam em línguas. Um grupo de protestantes em Cévennes (sul da França) começou a profetizar, receber visões e falar em línguas. Às vezes, eles são designados de “profetas de Cévennes” e recordados por suas atividades políticas e militaristas, não pelo legado espiritual. A maior parte de suas profecias não se cumpriu. Anticatólicos ferrenhos, defendiam o uso das armas contra a Igreja de Roma. Muitos deles foram perseguidos e mortos por Roma.Na outra extremidade do espectro, os jansenistas, um grupo de católicos fiéis, oposto ao ensino dos reformadores sobre a justificação pela fé, também alegavam (no século XVIII) ser capazes de falar em línguas.Outro grupo que praticava certa forma de dom de línguas eram os shakers. Tratava-se de uma seita americana, com raízes quacres, que floresceu em meados do século XVIII. Mãe Ann Lee, a fundadora da seita, considerava-se o equivalente feminino de Jesus Cristo. Ela dizia possuir a capacidade de falar em 72 línguas. Os shakers criam que o relacionamento sexual era pecaminoso, mesmo no casamento. Eles falavam em línguas enquanto dançavam e cantavam em um estado semelhante ao transe.
Retirado do livro: O Caos Carismático, Jhon MacArthur Jr
#DefensordoEvangenlho

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