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Música e Adoração Na Igreja


Por Hernandes Dias Lopes | 19 de abril de 2016 | Adoração, Adoração Congregacional, Artigos, Princípios Bíblicos, Teologia

Referência: Salmos 40.3

INTRODUÇÃO

1. Perguntaram para Rick Warren, o que faria de diferente se tivesse que começar sua igreja de novo. Ele respondeu: “desde o primeiro dia eu colocaria mais energia e dinheiro no ministério de música”.

2. Davi no Salmo 40:3 fala sobre quatro atributo da música: 1) A origem da música; 2) A natureza da música; 3) O propósito da música; 4) O resultado da música.

3. Davi diz que há uma clara conexão entre música e evangelismo. Aristóteles disse que “a música tem o poder de formar o caráter”. A música é a principal comunicadora de valores para as gerações:

a) Na Reforma – foi a música que popularizou a doutrina da reforma luterana;

b) As canções de rock dos anos 60 e 70 forjaram os valores dos americanos dessas duas décadas.

c) A MTV molda os valores da maioria dos adolescentes.

I. A IMPORTÂNCIA DO LOUVOR NA VIDA DA IGREJA

1. Quem louva agrada a Deus

O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.

“O que me oferece sacrifício de ações de graça, esse me glorificará” (Sl 50:23).

2. Deus nos criou para o seu louvor

“Ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor” (Is 43:21).

3. Devemos louvar a continuamente

Louvor em todo o tempo: “Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios” (Sl 34:1).

Louvor desde o amanhecer até o ocaso: “Do nascimento do sol até o ocaso, louvado seja o nome do Senhor” (Sl 113:3).

Louvor continuamente: “Os meus lábios estão cheios do teu louvor e da tua glória continuamente” (Sl 71:8).

4. O louvor e a adoração são as principais razões de virmos à igreja

“Vinde, ajoelhemos e prostemo-nos diante do Senhor que nos criou” (Sl 95:6-7).

Adoração implica sempre em reconhecimento da majestade de Deus. Sempre que a igreja adorou em Apocalipse ela estava prostrada.

5. Deus rejeita adoração da igreja se a vida dos adoradores não estiver certa com Deus

Isaías 1:11; Amós 5:21-24; Malaquias 1:10. Deus procura a verdade no íntimo. Deus vê o coração. O Publicano e o Fariseu foram ao templo. Quem saiu justificado não foi aquele que proclamou sua justiça, mas o que confessou o seu pecado.

Se contemplarmos vaidade em nosso coração, Deus não nos ouve (Sl 66:18). Coração quebrantado Deus não rejeita (Is 57:20). O que confessa e deixa alcança misericórdia (Pv 28:13).

Salmos 133 quando a igreja vive em união ali ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre.

6. O louvor alivia o fardo

Jó disse que Deus inspira canções de louvor nas noites escuras.

O louvor reduz o efeito da pressão. Satanás quer que estejamos desolados e melancólicos, quando passamos por tempos difíceis. Ilustração: Spafford.

Como nos libertar dessas nuvens escuras? Louvando a Deus continuamente! Quando louvamos, sacudimos o jugo da angústia. Trocamos o espírito angustiado por vestes de louvor (Is 61:3).

Enquanto estamos desolados e deprimidos, não manifestamos a vitória de Deus. Catarina Van Bora disse para Lutero: “Deus morreu”.

O louvor nos põe fora do problema, dentro da solução e sob as bênçãos de Deus.

7. O contínuo louvor transforma o temor em fervor

É impossível louvar a Deus e permanecer desanimado: “Por que estás abatida, ó minha alma? Espera em Deus, pois eu ainda o louvarei” (Sl 42:5).

Quando louvamos a Deus, a nossa fé se torna mais forte: “Firme está o meu coração ó Deus, o meu coração está firme: cantarei e entoarei louvores” (Sl 57:7).

O louvor transforma a adversidade em bênção, nossa fraqueza em força divina: “O senhor é a minha força e o meu escudo; nele o meu coração confia; nele fui socorrido; por isso o meu coração exulta e com o meu cântico o louvarei” (Sl 28:7).

8. O louvor abre portas que doutra forma não seriam abertas

Reclamar, lamentar, murmurar, ficar magoado abre brecha para Satanás (Ef 4:26-27), mas o louvor amarra a Satanás (Sl 149:6-8). O louvor mostra ao inimigo que não caímos em seus truques, mostra que confiamos no Deus onipotente.

Deus habita no meio dos louvores e onde Deus está o diabo precisa fugir (Sl 9:1-3; 18:3).

9. O louvor não é consequência da vitória, é causa da vitória

2 Crônicas 20:21 e Atos 16 revelam que o louvor é a causa da vitória e não apenas sua consequência. Louvamos para vencer. Louvamos para derrotar o inimigo. O louvor nos põe acima das nuvens escuras. Ilustração: o dia que o meu pai morreu.

O louvor proclama a vitória antecipadamente: Miriã cantou o cântico certo no lugar e na hora errada.

10. Aspectos grandiosos do louvor

a) O louvor é da vontade de Deus

“Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18).

b) O louvor é resultado da plenitude do Espírito Santo

“Mas enchei-vos do Espírito Santo, falando entre vós com salmos , entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais…” (Ef 5:18-20).

Efésios 5:19-20: fala de comunhão; adoração e gratidão. Onde há contendas e ciúmes a adoração não pode subir como aroma suave.

c) O louvor é resultado da plenitude da Palavra em nós

“Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo… louvando a Deus com salmos e hinos e cânticos espirituais” (Cl 3:16).

II. A INSTRUMENTALIDADE DA MÚSICA NA IGREJA

1. A música é um veículo

A música é um veículo de comunicação anterior à palavra. O ritmo interfere em nossa estrutura muscular, altera nosso pulso cardíaco, nossa velocidade de marcha, ou nosso sistema respiratório. A melodia interfere poderosamente com as emoções humanas e pode levar pessoas da alegria às lágrimas ou da euforia à calma em poucos instantes. A harmonia interfere no esforço intelectual do ouvinte para apreciar a música.

a) 1 Sm 18:7; 21:11; 29:5 – A música das mulheres de Israel provocaram uma revolução em Israel: A música chegou aos ouvidos de Saul e do povo e permaneceu influenciado o povo durante muito tempo. A música espalha a mensagem.

b) A música de Lutero – espalhou-se além de Wittembert para os leigos, camponeses e pobres aldeões a mensagem da Reforma.

2. A música como comunicação do homem para Deus e de Deus para o homem

Se o homem fala a Deus através dos cânticos religiosos, também Deus pode falar ao homem por seu intermédio. Música é um bom veículo para o homem falar com Deus, mas também é um eficiente meio para Deus falar ao homem.

3. A música como impressão

A música impressão tem como propósito um apelo emotivo sobre as pessoas. O objetivo não é comunicar uma mensagem, mas provocar um sentimento.

Agostinho: “Quando, às vezes, a música me sensibiliza mais do que as letras que se cantam, confesso com dor que pequei.” (Confissões, p. 219,220).

Nas Institutas, Calvino alertou para o perigo da música impressão. “Impõe-se diligentemente guardar que não estejam os ouvidos mais atentos à melodia que a mente ao sentido espiritual das palavras… cânticos que têm sido compostos apenas para o encanto e deleite dos ouvidos nem são compatíveis com a majestade da Igreja, nem pode a Deus não desagradarem sobremaneira” (Institutas III, p. 20,32).

4. A música como expressão

Olhe para a música não como fim em si mesmo, mas como instrumento, canal para comunicação de uma mensagem. Os textos são bem elaborados e escolhidos para que sua mensagem seja entendida e fixada.

O que despertou certa antipatia nos Reformadores e pais da igreja quanto ao uso de instrumentos na igreja é que a música não estava sendo instrumento para a mensagem, mas substituto dela. Era a música pela música. A música tinha uma função apenas de impressão.

A música deve ser serva do texto e não espetáculo em si mesma. Lutero dizia que a música deve ser sermão em sons.

Na igreja não há espaço para a execução da música como espetáculo; na igreja ela é serva da mensagem, veículo da mensagem.

III. PRINCÍPIOS SOBRE ADORAÇÃO

1. Somente os salvos podem verdadeiramente adorar a Deus

Adoração é a expressão do nosso amor por Deus, por quem ele é, pelo que ele disse, pelo que ele está fazendo.

Não podemos confundir cantar com adorar. É possível cantar sem adorar e é possível adorar sem cantar.

2. Não precisamos de um prédio para adorarmos a Deus

Deus não habita em templos feitos por mãos de homens (At 17:24). Jesus disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20).

3. A adoração tem muito muito mais a ver com a essência do que com estilo

Ao redor do mundo, pessoas diferentes adoram a Deus com estilos diferentes. Entretanto, toda adoração precisa ser em espírito e em verdade. Ou seja, precisa ser verdadeira e sincera.

Adoração não é tanto uma questão de estilo de música ou quantidade de instrumentos que usamos, mas uma atitude de coração disposta a glorificar a Deus. Não é show. O show visa a glória do homem, a adoração visa a glória de Deus (Ap 14:7).

4. A adoração é um poderoso testemunho para os não crentes

Uma coisa é a doutrina da onipresença de Deus, outra é a presença manifesta de Deus. O que produz impacto nas pessoas é a presença de Deus perceptível no culto da igreja. Essa presença manifesta derrete os corações e destrói barreiras mentais.

Existe conexão estreita entre adoração e evangelismo. A meta do evangelismo é produzir adoradores para Deus. Evangelismo é a missão de recrutar adoradores para Deus.

5. A adoração precisa produzir em nós um profundo senso de admiração

Isaías quando contemplou o Senhor do seu santo templo ficou extasiado com a glória e a majestade do Senhor. Precisamos resgatar segundo Tozer essa percepção da majestade de Deus em nossos cultos.

Isaías ficou extasiado com a santidade de Deus, com a pecaminosidade da sua vida, com a grandeza da graça e com a urgência da obra.

IV. A DINÂMICA DA MÚSICA NA IGREJA

1. Acelere o passo e o dinamismo do culto

No culto não pode ter improvisação.

O som precisa estar testado. Tudo precisa estar no lugar antes das pessoas chegarem.

Não deixe “hora morta” no culto: o solista que vai cantar, já precisa estar no primeiro banco. Entre um passo e outro não pode existir intervalo.

O dirigente de cânticos não deve parar em cada cântico para fazer um comentário, isso quebra a dinâmica. Não pode existir uma liturgia dentro da liturgia.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revelou que a maioria das pessoas que saem da igreja é porque acham o culto boring.

2. Fuja da previsibilidade

O culto é um evento único, singular, irrepetível. É um tríplice encontro: com Deus, com os irmãos e consigo.

O culto precisa ser estudado, elaborado. Precisa existir uma expectativa da intervenção de Deus em cada culto. Deve existir um entusiasmo persuasivo no começo de cada culto que diz: “Algo bom está para acontecer”.

3. Escolha as músicas certas para cada momento

As músicas precisam ser oportunas, pertinentes para cada momento do culto.

É preciso conhecer a letra antes de ensinar um cântico. Hoje temos uma explosão de música de consumo cujas letras são sofríveis.

4. Enriqueça o repertório buscando coisas novas e antigas

Temos um reservatório imenso. Algumas igrejas só cantam as músicas clássicas. Outras só cantam as músicas contemporâneas. Nem tudo o que é antigo é bom e nem tudo que é novo é bom. Precisamos escolher o melhor do antigo e do contemporâneo.

5. A música pré-gravada antes e depois do exercício devocional é rico recurso espiritual

Hoje vivemos com música no carro, em carro, no banco, nas lojas. A igreja deve utilizar melhor o tempo que tem para veicular a melhor música. A música prepara, aquece, desperta, consola.

6. A celebração do culto precisa ser festiva

O culto não é um funeral. O Salmo 100 nos ensina a servir o Senhor com alegria e apresentarmo-nos diante dele com cânticos.

Minha experiência na Igreja Presbiteriana de Onuri, em Seul em 1997.

Por: Hernandes Dias Lopes. Copyright © 2011 Palavra da Verdade. Original: Música e Adoração Na Igreja.

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Fonte: CANTE AS ESCRITURAS

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