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O mandato da apologética


Por Davi Lago

O mandato da apologética

Apologética cristã é a disciplina teológica que estuda a defesa da fé e o ataque às vãs filosofias mundanas. O termo apologética é uma derivação da palavra grega apologia, que significa “discurso de volta”, “resposta”. O estudo apologético é fundamental para a vida cristã, pois prepara o crente para evangelizar e demonstrar o poder do evangelho.

A apologética é um dever cristão. O apóstolo Pedro escreveu: “Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês” (1Pe 3.15). A ordem é clara: todo cristão precisa estar preparado para explicar as razões de sua fé. Esse texto afasta a idéia de que a apologética é um assunto apenas para os doutos. Pelo contrário, a Escritura afirma que todo cristão deve estar preparado para oferecer respostas sensatas aos questionadores da fé. Perceba, portanto, que todos os crentes são convocados para batalhar pela fé. Judas escreveu: “[…] senti que era necessário escrever-lhes insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos” (Jd 3).

É evidente que nem todos os crentes possuem grande envergadura intelectual, contudo, todos devem defender a fé nos limites de sua capacidade e crer na ação do Espírito Santo. Os primeiros discípulos de Jesus eram pessoas muito simples, no entanto, o Espírito os capacitou a testemunharem o evangelho com poder e autoridade: “Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que haviam estado com Jesus” (At 4.13). Dessa forma, podemos afirmar que o mais importante na apologética é possuir um relacionamento real com Jesus Cristo. Por isso, voltamos ao texto de Pedro: “Antes, santifiquem Cristo como Senhor em seu coração” (1Pe 3.15).

Cristo é o fundamento da apologética: “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Eu lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos que só parecem convincentes” (Cl 2.3-4); “Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo” (Cl 2.8); “Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo” (2Co 10.5).

A importância da apologética

O renomado apologeta William Lane Craig, afirma que a apologética é importante por três razões básicas[1]: Primeiro, a apologética fortalece os crentes. Segundo, ela evangeliza os incrédulos, pois quebra preconceitos e barreiras intelectuais contra o evangelho. E, em terceiro, a apologética molda a cultura. Os pensadores cristãos, através da apologética, podem influenciar as universidades, as pesquisas científicas e a cultura como um todo.

Os limites da apologética

Embora a apologética seja muito importante, sobretudo na evangelização, ela não pode gerar fé. A apologética, por si só, não é suficiente para levar alguém a crer em Cristo, pois somente o Espírito Santo pode convencer o homem do pecado (Jo 16.8).

Há muitos críticos da fé cristã que se calam diante de poderosos argumentos apologéticos, mas ainda assim não se rendem a Cristo. Isso acontece porque, na maioria das vezes, os críticos não creem em Cristo por razões morais e não por razões intelectuais. Ou seja, muitos oponentes do evangelho se escondem atrás de críticas infundadas ao cristianismo, mas, na verdade, simplesmente não querem abandonar o pecado e mudar de vida. O real problema deles é moral.

Portanto, a apologética é essencial, mas sempre dependente da ação do Espírito de Deus. Paulo escreveu: “Uma vez que conhecemos o temor ao Senhor, procuramos persuadir os homens” (2Co 5.11), mas também alertou: “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloquente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram em demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (1Co 2.1-5).

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[1] CRAIG, William Lane. Reasonable faith – Christian truth and apologetics. Third edition. Illinois: Crossway Books, 2008, p.15-25.

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