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O verdadeiro significado do Natal


Por: Stephen Nichols.


Uma das mais extraordinárias histórias de Natal vem de um dos momentos mais sombrios da história moderna. A Primeira Guerra Mundial devastou um continente, deixando destruição e destroços em seu rastro. As perdas humanas, mesmo de milhões, nos deixam desconcertados. Mas a partir do meio desse conflito tenebroso ocorre a história da Trégua de Natal de 1914. A Frente Ocidental, há apenas alguns meses na guerra, era um cenário deplorável de devastação. Talvez para dar aos combatentes um dia para que respirassem novamente, foi convocada uma trégua desde a véspera de Natal até o dia de Natal.

Enquanto a escuridão caía sobre a frente como um cobertor, o som de explosivos e o barulho do tiroteio desapareceram. Pequenos corais, de vozes francesas ou inglesas de um lado e de vozes alemãs do outro, se elevavam de modo a encher o silêncio da noite.

Pela manhã, soldados, a princípio de maneira hesitante, começaram a sair do emaranhado das trincheiras para o solo terrível e seco da Terra de Ninguém. Havia mais cânticos. Presentes de alimentos e cigarros foram trocados. As fotos de família foram mostradas. Bolas de futebol surgiram. Ao longo de toda a Frente Ocidental, os soldados, que apenas horas antes estavam travando o combate mortal, agora se enfrentavam em jogos de futebol.

Por um dia breve, mas inteiramente extraordinário, houve paz na terra. Alguns chamaram a Trégua de Natal de 1914 de “o Milagre na Frente Ocidental”.

Ansioso para imprimir algumas boas notícias, The Times of London informou sobre os eventos da Trégua de Natal. Os soldados registraram o dia em cartas para a família e em diários. Algumas dessas anotações chegaram aos jornais, enquanto outras permaneceram desconhecidas até serem descobertas posteriormente. Aqui está uma dessas anotações do diário de um soldado alemão da infantaria:

Os ingleses trouxeram uma bola de futebol das trincheiras, e logo ocorreu um jogo animado. Quão surpreendentemente maravilhoso, e, contudo, quão estranho foi. Os oficiais ingleses sentiram o mesmo. Assim, o Natal, a celebração do Amor, conseguiu unir inimigos mortais como amigos por um momento.

“Amigos por um momento”, “a celebração do amor”, “paz na terra” — este é o significado do Natal. Mas essas celebrações, essas tréguas, não duram. Depois do dia de Natal, as bolas de futebol e os soldados voltaram para as trincheiras. As canções natalinas acabaram e a guerra continuou. E mesmo que a 1ª Guerra Mundial terminasse, algumas décadas mais tarde, o campo e as cidades da Europa se tornaram novamente um campo de batalha, assim como a África e o Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial.

Eventos como a Trégua de Natal são dignos de serem celebrados. Mas eles carecem de algo. Falta-lhes a permanência. Essa paz não permanente é o que muitas vezes encontramos em nossa busca pelo significado real do Natal. Se buscamos a boa vontade, o amor e a paz duradouros e definitivos, devemos olhar para além de nossos encontros para entrega de presentes, reuniões e festas no trabalho. Não devemos olhar para outro lugar senão para uma manjedoura.

Devemos olhar para um bebê nascido não com festejo, pompa ou riquezas, mas com pais pobres em momentos de desespero. José e Maria, e o bebê Jesus nesse sentido, foram figuras históricas reais. Mas, de certa forma, José e Maria se estendem além de si mesmos, além de seu lugar e tempo particulares. Eles representam todos nós. Todos nós somos pobres e vivemos momentos de desespero. Alguns de nós são melhores do que outros em camuflar isso. No entanto, todos nós somos pobres e desesperados, então todos nós precisamos da promessa vinculada a esse bebê.

Precisamos de uma saída para nossa pobreza de alma e para o estado desesperado da nossa condição humana. Encontramos a saída nessa criança deitada numa manjedoura, que era e é Jesus Cristo, o Messias, a Semente, o Redentor e o Rei, há muito prometido.

O nascimento de Jesus há séculos atrás pode ter sido um nascimento um pouco fora do comum. Mesmo em épocas antigas, estalagens não eram comumente usadas como salas de parto e manjedouras geralmente não eram usadas como berços para bebês recém-nascidos. E esse bebê recém-nascido era muito fora do comum. Naturalmente, em alguns aspectos, ele era perfeitamente comum. Ele era um ser humano, um bebê. Ele teve fome. Ele teve sede. Ele sentiu cansaço. Quando nasceu, foi envolto em faixas — o equivalente antigo de fraldas.

Um bebê. Desamparado, com fome, frio e cansaço.

Ainda assim, essa criança era o Filho de Deus encarnado. Ele era Emanuel, que traduzido significa “Deus conosco”. De acordo com o relato do apóstolo Paulo, esse bebê criou todas as coisas. Esse bebê criou a sua própria manjedoura. E esse bebê, esse Rei, opera paz na terra, paz definitiva e permanente.

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