Fuja dos “desigrejados”
Por TonnySilva
Definição de Igreja: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Ou seja, a Igreja de Jesus Cristo são pessoas que juntas formam um corpo.
É certo de que nos últimos dias tem surgido uma onda de pessoas que se desligam do sistema religioso, dando as mais variadas justificativas para a decisão e dentre estas está o fato de ter se decepcionado com os líderes religiosos, outros de descobrir que muitas das práticas no culto ao Senhor são totalmente pagãs, ou mesmo fazem parte da Antiga Aliança de Deus com Israel e estas práticas já não mais são aplicadas ao povo de Deus, já que após o sacrifício de Cristo, o povo de Deus não é apenas Israel, mas todo o que crer em Cristo como aquele que o salvou da condenação do pecado. Diante destes fatos, tais pessoas se desligam totalmente do Sistema Religioso, tomando então, umas dessas três escolhas:
1ª – Voltam às mesmas práticas pagãs;
2ª – Reúnem-se em lares com outros irmãos;
3ª – Ficam em casa, com a justificativa de que elas são a igreja, logo não precisam estar reunindo-se com outras pessoas e dizem cultuar a Deus em todo tempo e lugar. Estes também são chamados de liberais, já que relativizam ou menosprezam a veracidade da Bíblia, levando em consideração conceitos filosóficos e modernizando as práticas cristãs.
Mas antes de falar de cada um, vejamos como a igreja primitiva se reunia e qual a sua preocupação quanto a estes casos.
Antes de se despedir dos apóstolos, a ordem direta de Jesus foi: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc 16: 15,16). Logo após a Sua ressurreição, o Mestre então aparece aos discípulos dando suas últimas instruções e ascende aos céus, deixando a promessa de um Consolador que os instruiria e testificaria acerca de tudo o que foi pregado, convencendo o homem do pecado. Em seguida acontece a primeira reunião da igreja em forma de culto: “Então voltaram para Jerusalém, (...) E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, (...) Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.” (Atos 1:12-14)
Daí em diante a igreja (povo de Deus) passa a ter reuniões irregulares, já que fugia da perseguição romana e não estabelecia um local fixo para reuniões. Suas reuniões eram também em lares, já que aprenderam com Cristo que a vida cristã deve ser vivida no dia-a-dia em contato com os salvos, para adoração e busca de conhecimento e com os ímpios, para pregação do Evangelho.
Temos vários relatos dessas reuniões em lares como em Atos 8.3, Atos 12.12, Filipenses 4.22, Colossenses 4.15, 1 Cor 16.19 e tantos outros. E realmente em toda a Escritura não vemos nenhum relato da Igreja estabelecendo um local específico para reunião com horário e datas marcadas. Não só por estarem fugindo em todo o tempo dos soldados, mas também porque não foi essa a prática que eles aprenderam com seu Mestre.
Após a suposta conversão de Constantino ao cristianismo (que “legalizou” o Cristianismo pelo Edito de Milão, em 313 d.C.), surge então a unificação das crenças romanas, o que uniu o cristianismo às diversas crenças do povo romano, surgindo então a Igreja Católica Apostólica Romana, como uma instituição religiosa. Depois de um longo período de império desta instituição religiosa, surgem então homens que viram na Bíblia Sagrada ensinamentos que condenavam as práticas religiosas da Igreja católica. Estes homens deram então início ao que chamamos de Reforma Protestante. Porém a Reforma, que seria para restaurar as práticas do Evangelho, por não conseguir firmar bases dentro da instituição, então resolve sair e formar o que hoje conhecemos como igrejas históricas ou tradicionais, que vieram a ter sua teologia totalmente e unicamente firmada nas Escrituras. E com o passar do tempo, por discordar dos ensinos praticados nessas instituições, vários outros homens se desligaram destas, para formar para si e para outros, novos modelos de instituição religiosa e com o tempo, toda a genuína compreensão do Evangelho, foi sendo deixada de lado, dando lugar a dogmas e doutrinas que em muito se diferem dos ensinos de Jesus Cristo.
Então volto ao ponto da origem desse texto. A partir de tantas mudanças e dos surgimentos de tantos líderes descomprometidos com o genuíno Evangelho, é que essas pessoas decidiram se afastar da instituição religiosa.
Qual seriam os motivos então para nos entristecer com cada um destes grupos de pessoas citados no início? Vamos então tratar um a um.
1º grupo volta às mesmas práticas pagãs anteriores ao seu ingresso na instituição. O grande problema é que, além de saírem totalmente frustrados com o suposto deus pregado nesta instituição, estas pessoas podem incorrer no erro de se tornarem cidadãos piores que o que eram antes de conhecer os ensinos. Ele passa também a repudiar todo e qualquer assunto que remeta a fé cristã e torna-se ainda mais endurecido, não desejando ouvir novamente sobre o Evangelho.
2º grupo reúne-se em lares com outros irmãos e isso se torna a melhor escolha a ser feita, já que não se desliga do Corpo de Cristo, e continua praticando de maneira simples, porém eficaz, o Evangelho, que consiste em amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. Continua então cultuando a Deus em comunidade e seguindo as ordenanças de seu Mestre.
3º grupo fica em casa (não se reunindo), com a justificativa de que ele é a igreja, logo não precisa estar reunindo-se com outras pessoas e diz cultuar a Deus em todo tempo e lugar. Estes também são chamados de liberais, já que relativizam ou menosprezam a veracidade da Bíblia, levando em consideração conceitos filosóficos e modernizando as práticas cristãs.
Este é para mim o grupo mais perigoso destes citados, pois, diferente do primeiro grupo, declara veementemente ser cristão e praticante dos ensinos de Jesus, mas menosprezam o valor dos ensinos escriturísticos, utilizando-se de uma exegese totalmente antropocêntrica. Sua vida passa a ser totalmente voltada a denegrir a imagem da igreja institucionalizada, dizendo não crer na possibilidade de seriedade por parte do que ainda se reúne de tal maneira. Estes levam horas dos seus dias destilando um ódio totalmente irracional contra líderes e irmãos que discordam de seu posicionamento, chegando a utilizar-se até de palavras de baixo calão para se referir às outras pessoas. O enorme problema é que, aqueles que não sabem reconhecer um verdadeiro cristão, acabam tendo à sua frente um péssimo exemplo a observar e logo se fecham para a audição da Palavra.
Portanto o meu conselho é: se você é um cristão que tem seus olhos abertos acerca e por meio do Evangelho e deseja praticar de maneira sublime o que nos é ensinado nas Escrituras, junte-se a pessoas que assim também queiram fazer. Quer seja em casa, quer seja numa instituição religiosa séria (ainda que seja muito difícil encontrar uma que pratique o Evangelho em sua essência), não deixe de se reunir com os seus irmãos em Cristo. Mesmo porque o problema não está em institucionalizar a igreja, mas em quão verdadeiramente as pessoas desta instituição segue a Cristo.
Mas afaste-se de todo ensinamento que implique na vivencia do Evangelho de maneira individual e desligada da comunidade de fé.
A salvação é individual, mas a vida cristã é estabelecida no seu relacionamento com o próximo. E Deus se utiliza deste método para que nos edifiquemos uns aos outros em amor.
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