Porque a única sabedoria que todos os eleitos adquirem na escola de Deus é ir a Cristo, pois o Pai, que o enviou, não pode negar a si mesmo.
Porque a única sabedoria que todos os eleitos adquirem na escola de Deus é ir a Cristo, pois o Pai, que o enviou, não pode negar a si mesmo.
Está escrito nos Profetas.
Cristo confirma, pelo testemunho de Isaías, o que dissera: que ninguém pode ir a ele se o Pai não o trouxer. Ele usa a palavra profetas no plural, porque todas suas profecias estavam coligidas em um só volume, de modo a que todos os profetas fossem considerados um só livro. A passagem que é aqui citada se encontra em Isaías [54.13], onde, falando da restauração da Igreja, ele lhe promete que os filhos seriam ensinados pela instrução de Deus.
Daí facilmente poder inferir-se que a Igreja não pode ser restaurada de qualquer outra forma senão por Deus empreendendo o ofício de Mestre e conduzindo os crentes a si. O método de ensino, de que fala o profeta, não consiste meramente na voz externa, mas igualmente na operação secreta do Espírito Santo. Em suma, esta docência de Deus consiste na iluminação interior do coração.
E serão todos ensinados por Deus.
Quanto à palavra todos, ela deve limitar-se aos eleitos, os únicos que são verdadeiros filhos da Igreja. Ora, não é difícil ver de que maneira Cristo aplica esta predição ao presente tema. Isaías mostra que somente então é a Igreja verdadeiramente edíficada, ou seja: quando ela tiver seus filhos instruídos por Deus. Cristo, pois, com razão conclui que os homens não têm olhos para visualizar a luz da vida, a não ser que Deus os abra. Ào mesmo tempo, porém, ele se firma no termo geral: todos. Porque ele deduz dela que todos os que são ensinados por Deus são eficazmente trazidos, a fim de que venham, e a isto se relaciona o que imediatamente adiciona:
Todo aquele que de meu Pai ouviu e aprendeu.
O equivalente disto é: que todos quantos não creem são réprobos e condenados à destruição, porquanto todos os filhos da Igreja e herdeiros da vida são por Deus feitos seus discípulos obedientes. Daí, segue-se que não há um sequer, dentre todos os eleitos de Deus, que deixará de ser um participante da fé em Cristo. Repetindo, visto que Cristo previamente afirmara que os homens não têm condição de crer enquanto não forem atraídos, assim ele agora declara que a graça de Cristo, por meio da qual eles são atraídos, é eficaz, de sorte que necessariamente crerão. Estas duas sentenças subvertem completamente todo o poder do
livre-arbítrio sonhado pelos papistas. Pois se somente quando o Pai nos atrai é que começamos abraça Cristo, não há em nós qualquer princípio de fé, nem qualquer preparação para ela. Em contrapartida, se todos os que vão são aqueles a quem o Pai instrui, ele lhes dá não só a decisão de crer, mas também a própria fé [para crer]. Portanto, quando voluntariamente obedecemos à diretriz do Espírito, esta é uma parte e, por assim dizer, selagem da graça. Porque Deus não nos atraíria, se simplesmente estendesse sua mão e deixasse nossa vontade em um estado de indecisão. Mas, em estrita propriedade de linguagem lemos que ele nos atrai quando estende o poder de seu Espírito para o pleno efeito da fé. Lemos que ouvem a Deus, que voluntariamente permitem que Deus fale em seu íntimo, porque o Espírito Santo reina em seus corações.
Vem a mim.
Ele mostra a inseparável conexão que existe entre ele e o Pai. Pois o sentido é que é impossível que alguém seja discípulo de Deus e não obedeça a Cristo, e que os que rejeitam a Cristo se recusem a se deixar instruir por Deus. Porque a única sabedoria que todos os eleitos adquirem na escola de Deus é ir a Cristo, pois o Pai, que o enviou, não pode negar a si mesmo.
Comentários João Calvino.
Está escrito nos Profetas.
Cristo confirma, pelo testemunho de Isaías, o que dissera: que ninguém pode ir a ele se o Pai não o trouxer. Ele usa a palavra profetas no plural, porque todas suas profecias estavam coligidas em um só volume, de modo a que todos os profetas fossem considerados um só livro. A passagem que é aqui citada se encontra em Isaías [54.13], onde, falando da restauração da Igreja, ele lhe promete que os filhos seriam ensinados pela instrução de Deus.
Daí facilmente poder inferir-se que a Igreja não pode ser restaurada de qualquer outra forma senão por Deus empreendendo o ofício de Mestre e conduzindo os crentes a si. O método de ensino, de que fala o profeta, não consiste meramente na voz externa, mas igualmente na operação secreta do Espírito Santo. Em suma, esta docência de Deus consiste na iluminação interior do coração.
E serão todos ensinados por Deus.
Quanto à palavra todos, ela deve limitar-se aos eleitos, os únicos que são verdadeiros filhos da Igreja. Ora, não é difícil ver de que maneira Cristo aplica esta predição ao presente tema. Isaías mostra que somente então é a Igreja verdadeiramente edíficada, ou seja: quando ela tiver seus filhos instruídos por Deus. Cristo, pois, com razão conclui que os homens não têm olhos para visualizar a luz da vida, a não ser que Deus os abra. Ào mesmo tempo, porém, ele se firma no termo geral: todos. Porque ele deduz dela que todos os que são ensinados por Deus são eficazmente trazidos, a fim de que venham, e a isto se relaciona o que imediatamente adiciona:
Todo aquele que de meu Pai ouviu e aprendeu.
O equivalente disto é: que todos quantos não creem são réprobos e condenados à destruição, porquanto todos os filhos da Igreja e herdeiros da vida são por Deus feitos seus discípulos obedientes. Daí, segue-se que não há um sequer, dentre todos os eleitos de Deus, que deixará de ser um participante da fé em Cristo. Repetindo, visto que Cristo previamente afirmara que os homens não têm condição de crer enquanto não forem atraídos, assim ele agora declara que a graça de Cristo, por meio da qual eles são atraídos, é eficaz, de sorte que necessariamente crerão. Estas duas sentenças subvertem completamente todo o poder do
livre-arbítrio sonhado pelos papistas. Pois se somente quando o Pai nos atrai é que começamos abraça Cristo, não há em nós qualquer princípio de fé, nem qualquer preparação para ela. Em contrapartida, se todos os que vão são aqueles a quem o Pai instrui, ele lhes dá não só a decisão de crer, mas também a própria fé [para crer]. Portanto, quando voluntariamente obedecemos à diretriz do Espírito, esta é uma parte e, por assim dizer, selagem da graça. Porque Deus não nos atraíria, se simplesmente estendesse sua mão e deixasse nossa vontade em um estado de indecisão. Mas, em estrita propriedade de linguagem lemos que ele nos atrai quando estende o poder de seu Espírito para o pleno efeito da fé. Lemos que ouvem a Deus, que voluntariamente permitem que Deus fale em seu íntimo, porque o Espírito Santo reina em seus corações.
Vem a mim.
Ele mostra a inseparável conexão que existe entre ele e o Pai. Pois o sentido é que é impossível que alguém seja discípulo de Deus e não obedeça a Cristo, e que os que rejeitam a Cristo se recusem a se deixar instruir por Deus. Porque a única sabedoria que todos os eleitos adquirem na escola de Deus é ir a Cristo, pois o Pai, que o enviou, não pode negar a si mesmo.
Comentários João Calvino.

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