Por: AUGUSTUS NICODEMUS
E-MAIL A UM PASTOR PRESBITERIANO DESONESTO
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DE: Augustus Nicodemus
PARA: revperoba@fake.com.br
ASSUNTO: Assim você me mata de vergonha
DATA: 01/02/2018
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Caro Rev. Peroba,
Boa tarde.
Perdoe-me a liberdade em lhe escrever. Não nos conhecemos pessoalmente, mas como somos pastores da mesma denominação, achei que deveria primeiro me dirigir ao irmão diretamente.
Faz cerca de um mês fui contatado por uma família daí de sua cidade, procurando indicação de uma igreja presbiteriana. Eles eram membros de uma igreja neopentecostal já por muitos anos, mas depois de escutarem sermões de vários pregadores reformados no YouTube começaram a se interessar pela fé reformada. Adquiriram livros e outros materiais, começaram a estudar a Palavra e como resultado, não se sentiam mais à vontade nessa igreja neopentecostal. Falaram com a liderança a respeito disso e finalmente resolveram sair, em paz, para uma igreja onde a Palavra de Deus fosse pregada, o culto fosse voltado para Deus e não houvesse coisas estranhas na liturgia. Como eu disse, eles entraram em contato comigo sobre alguma igreja presbiteriana na cidade deles que eu conhecesse.
Como eu não conhecia, procurei no diretório da nossa denominação e achei a sua igreja, não muito longe do local onde eles moram. E então, como eles estavam decididos a sair da igreja deles por problemas doutrinários e litúrgicos, indiquei a sua igreja. Eles estiveram ai, visitando, domingo passado, no culto da manhã e da noite. Você deve se lembrar, é um casal de meia idade com dois filhos adolescentes.
Pois bem, acabo de receber uma mensagem deles, profundamente decepcionados com o que encontraram em sua igreja, Rev. Peroba. Para não parecer que estou exagerando, copio abaixo parte da mensagem:
[início] “Nosso primeiro choque no culto da manhã foi com o grupo de louvor, que se apresentou como sendo levitas e cantaram e pregaram por quase 30 minutos as mesmas músicas gospel que a gente cantava em nossa igreja anterior. Eles dançavam e pulavam, e queriam que todo mundo fizesse a mesma coisa, ameaçando quem não fizesse de ser frio ou carnal. Aí o pastor pegou um vidrinho de óleo e chamou a frente quem quisesse ser ungido para cura, libertação e prosperidade. Lá foi metade da igreja. Quando terminou, o pastor começou a pregar um sermão esquisito, sem pé nem cabeça, contando experiências e histórias pessoais, gritando e mandando a gente repetir com ele frases de efeito e repetir essas frases para a pessoa ao lado. A mesma coisa que o nosso pastor fazia. Ele só leu um versículo da Bíblia e depois fechou e deixou para lá. Eu e minha esposa ficamos nos perguntando se a gente não havia errado de endereço e entrado numa igreja neopentecostal. E quando a gente pensou que pior não ia ficar, o pastor começou a divulgar a programação da semana: culto de libertação, culto da prosperidade, culto de curas e prodígios, além dos trabalhos de células no sistema G-12 – exatamente o mesmo esquema usado em nossa igreja.
Nós saímos do culto meio confusos e fomos conferir. Realmente, a placa do lado de fora da igreja dizia: ‘Igreja Presbiteriana do Tablado,’ que é o bairro onde a gente mora. Bem resolvemos voltar à noite, pois poderia ser que a gente deu azar de ter ido num dia atípico. Qual o quê, pastor Augustus, além de um grupo de dançarinos que bailou uns 30 minutos (quase morri de vergonha alheia), teve um grupo de teatro dos adolescentes tentando encenar alguma coisa (não deu para entender o que era) e terminou com um pastor convidado que gritou, pulou, e ungiu metade da igreja no final e não explicou nem sequer uma passagem da Bíblia.
O pior foi na saída. Perguntei a um diácono que estava na porta se o pastor da igreja era reformado e ele respondeu que ainda não, que ele deveria se aposentar dali a uns dez anos ainda! Voltamos para casa completamente deprimidos, frustrados e decepcionados. Pastor, a presbiteriana é assim também, igual às neopentecostais? Estamos sem saber o que fazer, já que não voltaremos de jeito nenhum àquela igreja presbiteriana. Estamos achando melhor ficar em casa, fazer nosso culto em família e escutar bons sermões pelo YouTube.” [fim]
Pois bem, caro Rev. Peroba, confesso que estou profundamente envergonhado. Tenho tentado desde então a convencer essa família que ficar desigrejados não é solução, que há provavelmente outras igrejas presbiterianas na cidade que são sérias e que a sua, infelizmente, tem pouco ou nada do cristianismo reformado que sempre caracterizou as igrejas presbiterianas históricas e bíblicas.
Dirijo-me ao irmão de maneira fraternal: o irmão desconhece as decisões e resoluções de nossa denominação sobre unção com óleo, danças e teatro no culto? Desconhece a nossa Confissão de Fé? Desconhece os princípios da Reforma protestante que norteiam nosso culto e nossa pregação? Infelizmente, pastores como você servem de tropeço para muitos dessas centenas de pessoas que estão sendo despertadas para a fé reformada em nosso país e que pensam que toda igreja presbiteriana é confessional.
Termino rogando ao irmão que reveja seus posicionamentos quanto ao ministério pastoral presbiteriano. Talvez a atitude mais honesta da sua parte seria de coerência: peça transferência para uma igreja neopentecostal.
[Esse e-mail é fictício. A situação e os nomes são fictícios embora baseados em fatos reais]
Um abraço.
Pr. Augustus
Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
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