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Todo cristão deve ser um apologista


O meu professor de apologética no seminário contou histórias de reações estranhas que ele recebeu quando dizia às pessoas o que fazia da vida. A melhor história envolveu uma funcionária que lidava com empréstimos bancários. Quando ele disse à funcionária que ele era professor de apologética, ela replicou: “isso é maravilhoso”, e então acrescentou: “nesses dias, nós realmente precisamos ensinar às pessoas a como pedir desculpas”.

A funcionária estava tanto certa quanto errada. Nós realmente precisamos de professores de apologética, mas apologética não tem a ver com pedir desculpas. Ao invés disso, tem a ver com defender a fé. Na verdade, defender a fé é tão urgente hoje que nós precisamos de mais do que professores de apologética – nós precisamos que todos os cristãos percebam que são apologistas.

Um dos livros recentes do Dr. R.C. Sproul é intitulado Everyone’s a Theologian [Todo mundo é um teólogo]. Nós poderíamos dizer igualmente que “todo mundo é um apologista”. Aqueles que estão em Cristo e têm sido levados a ver a verdade e a beleza do evangelho têm tanto a obrigação quanto o privilégio de defendê-lo. Nós somos obrigados a “dar uma resposta”. Nós não podemos simplesmente depender dos filosoficamente dotados ou dos culturalmente adaptados para carregar esse o peso. Todos são apologistas.

O mandamento

A palavra grega apologia significa literalmente “falar a”. Através do tempo, veio a significar “fazer uma defesa”. Quando Atenas acusou Sócrates de ser nocivo à sociedade, ele teve que oferecer a sua defesa. Ele a intitulou Apologia. Ele se colocou diante dos “homens de Atenas”, oferecendo-lhes sua defesa racional. O Novo Testamento usa o termo 17 vezes. Muitos episódios dizem respeito a casos de tribunal, tais como a hora em que Paulo apareceu diante do Concílio Judaico em Atos 22 e diante de Festo em Atos 25. Paulo também fala do aprisionamento dele em Roma como uma apologia do Evangelho (Filipenses 1.7,16).

O texto clássico para a palavra grega apologia é 1Pedro 3.15-16. A primeira carta de Pedro foi escrita aos “exilados” que viviam na Ásia Menor, que se localizava na Turquia de hoje. Esses cristãos exilados sofreram perseguição e foram condenados ao ostracismo por causa da fé que possuíam. Eles foram insultados e caluniados. Alguns deles sofreram nas mãos dos membros de suas próprias famílias.

Pedro ordena a esses exilados que não vivam com medo ou covardia diante da oposição. Ao invés disso, ele ordena a esses cristãos exilados – e a nós – que estejam sempre prontos para fazer uma defesa. O verbo principal “fazer uma defesa”, a partir da palavra grega apologia, está no modo imperativo. O modo imperativo é usado para ordens. Não há processo de adiamento aqui. A ordem se estende a todos nós.

Mais adiante, Pedro nos diz como fazer nossa defesa. Ele observa que devemos “sempre estar preparados”. Esta é uma ordem difícil de cumprir. Questionamentos sobre a nossa fé tendem a vir em tempos inesperados. A fim de que estejamos sempre prontos, devemos conhecer nossa fé, o que significa que devemos conhecer nossa teologia. Nós também devemos conhecer nosso público. Vemos isso no exemplo de Paulo sobre ser apologista no Areópago em Atenas (Atos 17:16-34). Pedro também nos diz que devemos fazer nossa defesa “com mansidão e temor” (1Pedro 3.15). Essa é uma ordem mais difícil ainda de cumprir. A palavra traduzida como “temor” poderia igualmente ser traduzida como “reverência”. É a mesma palavra usada para dizer como devemos nos aproximar de Deus. Então, nós, os exilados, temos que tratar os que nos interrogam com mansidão e reverência.

Então, aí está o versículo 16. Pedro nos lembra que o que nós somos é pedacinho por pedacinho tão importante quanto o que dizemos. Que o testemunho de nossas vidas não leve o testemunho das nossas palavras à vergonha. Ao invés disso, que “o bom procedimento em Cristo” também seja nossa apologética.

O momento

Antes de Paulo se levantar e fazer sua defesa em Atenas, Atos 17.16 nos lembra que o Espírito de Paulo “se revoltava”.

Se alguém tiver entrado em coma em 2011 e acordado 5 anos depois, em 2016, provavelmente perguntaria: “o que aconteceu ao meu país?”. A mudança cultural recente tem sido cataclísmica e exige uma resposta. Que a nossa resposta não seja covardia ou intransigência. Senão, nós violaríamos a ordem de 1Pedro 3.15-16. Nós deixaríamos de ser a igreja.

Ao invés disso, que nossos corações sejam agitados dentro de nós. Que nós sejamos apologistas, confiantes no evangelho e com compaixão por nossos perseguidores. Que sempre estejamos pronto para dar a razão da esperança que está em nós – a única esperança em um mundo com necessidade desesperada do evangelho.

Por: Stephen Nichols

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