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O trabalho pastoral é mais importante que os outros trabalhos?

Por Colin Marshall


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O texto abaixo foi retirado do livro “A Treliça e a Videira: A Mentalidade de Discipulado que Muda Tudo”, de Colin Marshall & Tony Payne (Editora Fiel, 2015), p. 150-151.
Ao desafiarmos pessoas quanto ao ministério do evangelho, há dois erros que usualmente cometemos. Um erro é criarmos duas classes de cristãos – aqueles que estão realmente trabalhando para o Senhor e procurando anunciar seu reino (os “trabalhadores do evangelho reconhecidos”) e o resto. Neste modelo, fazer discípulos é como uma equipe de Fórmula 1. Há apenas um piloto, e as demais pessoas envolvidas fazem seu pouquinho nos bastidores. Podem trabalhar nos boxes, podem ajudar a financiar a equipe ou podem achar patrocinadores e organizar os logotipos que deverão ser pintados nos carros. Mas o piloto é a estrela e o foco, e os demais membros da equipe são os rapazes dos bastidores. Não é surpreendente que eles se sintam como cidadãos de segunda classe.
Como já vimos, não é assim que a Bíblia concebe a obra do evangelho. Não há duas classes de discípulos – somos todos discípulos e fazedores de discípulos. Todos os cristãos são chamados a negar a si mesmos, tomar a sua cruz e seguir Jesus até a morte; a renunciar sua vida para a honra e o serviço de Cristo. Isso é mais semelhante a um time de futebol, no qual cada jogador faz tudo que pode para fazer a bola avançar pelo campo do adversário. Há líderes e capitães, mas, fundamentalmente e acima de tudo, cada um é um jogador. De fato, em muitos times, o capitão não é necessariamente o melhor jogador ou o contribuinte mais valioso em qualquer partida.
O segundo erro comum é reagirmos ao primeiro erro dissolvendo a distinção entre trabalho do evangelho e qualquer outro trabalho. Nesta maneira de pensar, o trabalho secular é “batizado” como trabalho para o reino de Deus. Por ser um médico, um advogado, um negociante ou um engenheiro de software melhor (ou, embora raramente, um coletor de lixo ou um assistente de estacionamento melhor), estou ajudando a “redimir a cultura” e contribuindo de alguma maneira para o crescimento do reino de Deus. Nesta maneira de pensar, não devemos tirar as pessoas de suas carreiras seculares; devemos incentivá-las a permanecer onde estão para a glória de Deus.
Entretanto, isto também é um engano. A obra do evangelho tem uma importância singular nos planos de Deus para o mundo. Não fazemos discípulos por construir pontes melhores, mas por levarmos dedicadamente a Palavra de Deus às pessoas. Este é o dever, a alegria e o privilégio de cada discípulo, em qualquer circunstância que ele esteja. O trabalho secular é valioso e bom e não deve ser desprezado ou menosprezado. Mas não é o centro ou o propósito de nossa vida, nem o meio pelo qual Deus salvará o mundo. Minha identidade primária como cristão não é que sou um contador ou um carpinteiro e sim um discípulo fazedor de discípulos do Senhor Jesus Cristo. É realmente de importância mínima se trabalho para obter meu próprio sustento como discípulo fazedor de discípulos ou se outros me sustentam por causa das exigências da obra de fazer discípulos que realizo. O fato importante é que todos nós somos, juntos, fazedores de discípulos.

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