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Consolo Diante da Morte

Consolo Diante da Morte

A morte é uma inimiga natural dos homens. Devido à queda e a entrada do mal no mundo, a morte iniciou suas atividades. Os homens, agora, nascem e, a cada minuto que se passa, encontram-se mais perto do dia de sua partida. Se há uma verdade irremediável e palpável no mundo em vivemos é a certeza de que todos nós daremos nossos últimos suspiros, se Cristo até lá não houver retornado. O salmista compara os dias do homem à flor do campo que se desenvolve. Em seu tempo ela cresce e floresce, mas o vento logo a arranca e, dispersando-a, já não se pode mais conhecer o seu lugar. Além de irremediável, a morte também vem depressa e levará não apenas o nosso corpo, mas removerá a nossa memória do mundo dos viventes.

Em termos bíblicos, podemos definir a morte como a separação definitiva da alma e do corpo terreno. A Escritura nos ensina que o ser humano é composto de alma (ou mente ou espírito) e corpo. A alma é a parte que é identificada como o centro de consciência do indivíduo, ou, em outras palavras, quem ele de fato é. O corpo é o tabernáculo, a morada da alma, o vaso corruptível que nos permite viver nesse mundo. Assim, nós cristãos, na morte não deixamos de existir ou entramos em um sono profundo, mas separamo-nos do vaso de barro em que vivemos para aguardarmos pacientemente, e junto a Cristo, o nosso corpo glorificado.

Cristo, por meio de sua vida, sacrifício e ressurreição, nos deu lições essenciais para que saibamos lidar com a morte.

Em primeiro lugar, Cristo nos livra do medo da morte (Hb 2:15). A expectativa da morte pode nos tirar a paz. Se não aplicarmos os princípios bíblicos ao pensarmos no dia de nossa partida, teremos reações pecaminosas. Podemos ser levados a viver sempre correndo como se não houvesse outro dia a ser vivido e ignorar a providência soberana de Deus de santificar-nos no decorrer dos dias e noites comuns da nossa vida cristã regular. Ou até mesmo a negligenciar os deveres de preservação da nossa própria vida, ao dar de ombros e nos consolarmos com o fato de que, de uma forma ou de outra, certamente morreremos. De outro lado, podemos ser levados à aflição e desânimo depressivo de quem paranoicamente teme antecipar o dia de sua morte. Ou ainda desfalecermos como quem não vê sentido em sua labuta diária, já que o fim inevitavelmente chegará.

Cristo, porém, ensina que nossos dias estão contados.  Ele mesmo preparou as boas obras para andarmos nelas. Cada dia é um dia feito para ser tributado em louvor a Deus. Cada dia foi de antemão preparado para que todas as circunstâncias servissem para o nosso crescimento na graça e no conhecimento. Mesmo que um dia pareça escuro e cinzento, enquanto Ele não decidir nos chamar para si, sempre haverá um novo dia para respirar fundo e seguir a Cristo. Ele também nos diz que não importa qual o tamanho da nossa preocupação com os nossos dias. Jamais poderemos acrescentar um minuto que seja a eles.

O medo da morte presume um pensamento equivocado a respeito do seu propósito. Para um cristão, pensar no dia de sua morte é pensar no dia em que se encontrará com Cristo. Por isso, em segundo lugar, Cristo nos livra das más consequências da morte. Antes, quando éramos filhos da ira, vivendo sem Deus no mundo, a sentença que pairava sobre nós era a condenação eterna, a separação definitiva da face do Senhor e da glória do seu poder (2 Ts 1:9).

Naquele tempo, tínhamos razão em temer, embora o pecado nos roubasse até mesmo a consciência disso. Contudo, agora, sendo justificados pelo sangue de Cristo, temos paz. Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica (Rm 8:33). A morte será a última dor que as pequenas ovelhas de Deus sentirão; será aquela dor que os unirá definitiva e eternamente ao seu senhor e salvador.

Em terceiro lugar, e em decorrência dos pontos anteriores, Cristo nos ensina a lidarmos com a morte de nossos entes queridos. Esse é um ponto crucial e digno de reflexão, pois é onde sentimos de forma mais acentuada a força e inimizade da morte. Se ela nos atinge, então podemos desfrutar de Cristo e o sofrimento se esvai. Mas, se ela atinge nossos familiares e amigos, então sofremos a perda. Infelizmente, a morte terrena não é a nossa única preocupação se nossos queridos morrem apartados de Cristo. Se mantiveram vidas ausentes da graça de Deus, e não manifestaram qualquer arrependimento salvífico, então havemos de encarar a realidade de que não há consolo para nós quanto ao futuro eterno deles. Não nos enganemos, meditemos e descansemos na sabedoria e soberania de Deus. Ele é um justo juiz e sempre faz o que promete. Se Ele não cumprisse o que prometeu, sendo justo em condenar pecadores, como poderíamos descansar em que ele seria justo e cumpriria o que prometeu não condenando pecadores justificados? Devemos lamentar profundamente nessas ocasiões e usá-las como uma exortação à perseverança e a conclamarmos outros a se renderem a Cristo.

No entanto, se nossos entes queridos morreram em Cristo, não há motivo para preocupação. Eles estão exatamente onde sempre quiseram estar. Desfrutam da glória eterna do Pai. E em breve nós os encontraremos e nos uniremos em louvor. Não temos motivos para temer. A separação nunca será natural e inevitavelmente será acompanha de choro e dores. Mas nunca nos esqueçamos: a morte foi tragada, o aguilhão removido (I Coríntios 15:54-55). Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Co 15:57).

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